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Destruição disfarçada de sustentabilidade: Uma resposta à Câmara Municipal do Seixal


A recente publicação no Boletim Municipal de Janeiro de 2025 sobre o Plano de Urbanização do Pinhal das Freiras traz consigo uma narrativa que merece ser analisada e questionada. Embora apresentada como uma “ampliação do pulmão verde do Seixal,” a realidade dos fatos conta uma história diferente.

O que está em jogo?

O Pinhal das Freiras, que faz parte da Rede Natura 2000, é uma área classificada pela legislação europeia devido à sua importância para a biodiversidade e o equilíbrio ambiental. No entanto, sob o pretexto de criar o "Parque Metropolitano da Biodiversidade", a proposta da Câmara envolve a destruição de 300 hectares de floresta nativa para abrir espaço a urbanizações, atividades económicas e equipamentos urbanos.

Embora o boletim enfatize que áreas serão convertidas para uso público, a verdade é que grande parte do terreno será destinada a empreendimentos imobiliários e infraestruturas que pouco beneficiam a comunidade local e ainda menos contribuem para a preservação ambiental.

Alterações ao Plano Diretor Municipal e a realidade ambiental

É importante destacar que as alterações no Plano Diretor Municipal (PDM) ao longo dos anos têm reduzido progressivamente a proteção de áreas naturais, facilitando a urbanização. Mesmo com a promessa de um parque de 400 hectares, é evidente que existem outras prioridades e interesses, deixando para último lugar a preservação ambiental.

A questão que se coloca é: a quem realmente serve este projeto? Certamente não às futuras gerações ou à biodiversidade que depende do Pinhal das Freiras. Este tipo de planeamento urbano, ainda que mascarado de sustentabilidade, sacrifica o património natural do concelho para atender a interesses económicos, neste caso da construtora Alves Ribeiro, proprietária dos terrenos.

*Imagem publicada no Seixal Boletim Municipal - Edição 803
*Imagem publicada no Seixal Boletim Municipal - Edição 803


Uma solução verdadeiramente sustentável

Em vez de sacrificar uma floresta classificada pela Rede Natura 2000, a Câmara poderia redirecionar esforços para revitalizar áreas já degradadas e subutilizadas no concelho. Existem vários espaços urbanos abandonados ou pouco aproveitados que poderiam ser transformados em infraestruturas comunitárias e áreas verdes urbanas, sem comprometer ecossistemas inteiros.

Um apelo à transparência e responsabilidade

A destruição de 300 hectares de floresta não pode ser justificada pela criação de um parque que, na prática, já existe no seu estado natural com trilhos utilizados pela população diáriamente e está a servir de fachada para um plano de urbanização massivo. Pedimos à Câmara Municipal do Seixal que reavalie este projeto e que priorize verdadeiramente o interesse público e a proteção ambiental.

A comunidade merece um plano que respeite o meio ambiente e promova uma qualidade de vida sustentável para todos. E o Pinhal das Freiras merece ser preservado, não reduzido a um número no balanço de um plano de urbanização.

Salvar o Pinhal das Freiras é salvar o futuro do Seixal.

 
seixal + verde

Movimento cívico apartidário em defesa do ambiente e das florestas do Seixal,  constituído associação ambiental em Março de 2025.

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